“O papel social de um influenciador” por Cris de Luca e Miltinho Talaveira

Miltinho Talaveira e Cris de Luca - sortimentos.com
Miltinho Talaveira e Cris de Luca – sortimentos.com

“O papel social de um influenciador” por Cris de Luca e Miltinho Talaveira

Há alguns anos, a gente tem visto o número de criadores de conteúdo ou, o que comumente chamamos de influenciadores, aumentar muito. As marcas têm investido mais nessa forma de relacionamento com seus consumidores e cada vez mais as pessoas confiam neles. Para se ter uma ideia, pesquisas mostram que mais de 70% dos usuários que seguem influenciadores já decidiram comprar algo porque foi apresentado por eles. O poder de comunicação e influência na jornada de compra é enorme e por isso cada vez mais e mais pessoas querem se tornar influencers.

Mas num momento como o que estamos passando, é importante a gente destacar: ser criador de conteúdo já é considerado uma profissão, mas ser influenciador, não. Ser influenciador é uma responsabilidade. É preciso entender qual o papel social do mercado de influência e o peso de atitudes e palavras, mais do que nunca.

O futuro da influência é o presente, o agora. Quem consome conteúdos na Internet, busca cada vez mais por verdade. A vida como ela é, seja em momentos bons e ruins. Os vetores mudaram de direção nos engajamentos. Por exemplo, mesmo que alguém fale de lifestyle, moda, comportamento, beleza, esta pessoa tem o dever como cidadão, num momento importante como estamos vivendo, de se posicionar, caso contrário, dá a impressão de estar fora da realidade.

Fazer apenas uma publicação, fútil e incoerente nos dias pelos quais estamos passando não faz sentido, chega a ser falta de noção. É como fazer uma festa clandestina, não usar máscara ou desrespeitar o distanciamento social. As pessoas querem e precisam de verdade ou de, pelo menos, um pouco de empatia. O que uma pessoa que se diz influenciador, formador de opinião, uma celebridade faz ou até uma marca, precisa ter sentido e ser relevante para neste momento. Relevância, esse é o ponto!

Expor produtos e serviços não é influenciar pessoas. Influenciar é muito mais do que fazer um #publi. É transformar pensamentos e ações para que, além de evidenciar ou inspirar, cause uma mudança concreta. Chega de romantizar surras de likes e números de seguidores porque se a única coisa que as pessoas têm a oferecer é isso, talvez, não tenham nada para acrescentar na nossa vida.

Ainda mais se o conteúdo vem somente com selfie e vídeos com filtros, fotos fazendo o carão em porta de lojas, lives meia boca, stories com surra de recebidos ou viagens. Sem falar em viagens, aero looks e invasões em suítes de hotéis com presentes em cima das camas. Não é o momento. E, sim, nós somos culpados de criar esses monstros, essas famosas e famosos digitais que se importam apenas com seus ganhos e visibilidade. Está mais do que na hora de mudarmos isso!

Não é todo mundo que tem algo a dizer. Só que, se pararmos para pensar, há um ano, temos muita coisa a dizer ou pelo menos a lembrar para as pessoas. Todos nós. Se alguém se considera influenciador, comunicador, formador de opinião tem que ter, no mínimo, a noção do poder da ferramenta que tem nas mãos, do papel que exerce na vida das pessoas que as seguem. É importante, sim, num período pandêmico encontrarmos formas de nos distrair e nos divertir no ambiente virtual (afinal é o que temos para o momento), mas é necessário lembrarmos sempre o que estamos vivendo porque só vamos conseguir sair dessa vivos, se unirmos forças e vozes.

Se as pessoas estão cobrando das marcas um posicionamento sobre a pandemia, se querem que elas pressionem para que a crise se resolva, os influenciadores estão no mesmo barco. Falo dos influenciadores e dos criadores de conteúdo. É necessário pensar sempre como poder ajudar, na sua forma de conversar com a sua comunidade, entender o papel de liderança que exerce nesse momento. E que influenciar numa pandemia tem muito mais a ver com conscientizar as pessoas e ajudá-las a passar por este momento, do que com uma cara bonita (às vezes nem tanto) e vender produtos e momentos de prazer individual.

Artigo escrito a quatro mãos e duas cabeças com os pés no chão por Cris de Luca ( Gestora de Relacionamento no Gengibre e Professora na UniRitter ) e Miltinho Talaveira ( Gestor de Projetos/Head Criativo )