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Os netos são bálsamo para os avós

Psicóloga Adriane Garcia destaca impacto positivo da convivência dos netos com os avós

Psicóloga Adriane Garcia destaca impacto positivo da convivência dos netos com os avós

Levantamento do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento, publicado recentemente na revista científica Psychology and Aging, indicou que os avós que cuidavam dos netos obtiveram pontuações mais altas em testes de memória e fluência verbal em comparação com aqueles que não cuidavam, mesmo após ajustes para idade, saúde e outros fatores. Isso se manteve independentemente da frequência e do tipo de cuidado prestado.

No Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a psicóloga Adriane Garcia, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, analisa também o impacto que os netos causam na saúde mental deles. “Quando os filhos alcançam a maturidade e assumem as rédeas de suas próprias vidas, abre-se um período singular para os avós: a oportunidade de desfrutar da convivência com os netos, apreciando o processo de crescimento sem o peso da responsabilidade direta pela educação ou pelo provimento. Nesse contexto, os netos representam um novo significado para o prazer de viver, algo muitas vezes negligenciado na fase anterior da vida”.

Muitos que estão nesta fase da vida dizem que é melhor ser avós do que pais, pois não precisam educar, a especialista corrobora com esse pensamento deles. “Muitos avós relatam que a experiência de ser avô é mais leve que a de ser pai, justamente por estarem isentos da responsabilidade de educar e moldar o caráter da criança. Do ponto de vista emocional, esse distanciamento da carga de responsabilidade primária é extremamente benéfico, permitindo que vivenciem as etapas da infância com mais leveza e menos medo”.

Outro benefício que os pequenos podem causar para aqueles que estão na terceira idade é afastar os momentos sozinhos. “Para os idosos que frequentemente enfrentam a solidão, a convivência com os netos pode ter um impacto profundamente positivo. Ter um papel ativo na vida dos pequenos, após a aposentadoria e o afastamento da rotina exaustiva de criação dos filhos, confere aos avós um novo propósito e um estímulo para uma vida mais dinâmica. Assim, os netos não apenas mitigam a solidão, mas também ressignificam o cotidiano, trazendo a alegria de apreciar os pequenos prazeres da vida”, destaca a psicóloga.

Ser mãe ou pai duas vezes

Há uma frase repetida por muitos avôs e avós que ter essa função é ser pai e mãe duas vezes. Contudo, Adriane Garcia faz ressalvas sobre esse ditado popular. “Essa premissa é questionável, pois trata-se de processos distintos. A experiência é radicalmente diferente quando os avós assumem o papel de cuidadores em tempo integral, suprindo ausências dos pais que trabalham, e quando exercem o papel de avós em sua essência: o de brincar, animar e celebrar momentos, sem a pressão do gerenciamento da vida da criança”.

Sobre os avós que auxiliam os pais na criação dos filhos, seja porque moram juntos, seja como rede de apoio cuidando dos netos enquanto os filhos trabalham, a psicóloga pontua que a dinâmica se altera. “Nesses casos, eles tornam-se, na prática, responsáveis pela gestão da vida da criança. Embora isso possa trazer alegria, também pode gerar sobrecarga, transformando uma vivência que deveria ser prazerosa em uma fonte de exaustão, criando um equilíbrio delicado entre benefícios e prejuízos à saúde mental”, alerta.

Fonte : Comunicação Sem Fronteiras

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