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‘Gangorra térmica’ e oscilações extremas de umidade acendem alerta para crises alérgicas e respiratórias

‘Gangorra térmica’ : crises alérgicas e respiratórias - sortimentos.com

“Gangorra Térmica” : em intervalos de poucos dias, alternância entre calor seco e frentes frias com alta umidade sobrecarrega o sistema respiratório. Temperaturas que superam os 30 °C sob umidade relativa do ar em níveis críticos, seguidas por frentes frias repentinas acompanhadas de chuva e forte elevação da umidade.

Se para a rotina essa montanha-russa do clima exige casaco e guarda-chuva em um dia e ar-condicionado no outro, para o sistema respiratório o impacto é imediato. A oscilação brusca entre o ar seco/quente e o ar frio/úmido atua como um duplo gatilho para o agravamento de doenças como rinite, asma, sinusite e bronquite.

Segundo Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista e especialista em alergias respiratórias, a instabilidade na umidade é o fator ambiental que mais exige atenção do organismo durante essas transições.

“A umidade do ar tende a ter um impacto mais direto e significativo”, afirma a Dra. Cristiane. “Tanto a baixa quanto a alta umidade influenciam bastante, mas o ar seco, em especial, é extremamente agressivo para as vias aéreas.”

O perigo do ar seco nos dias quentes

Nos dias de calor intenso, é frequente a umidade relativa do ar despencar para patamares abaixo de 30% — e por vezes inferiores a 20%, bem distante do intervalo ideal entre 40% e 60% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nesse cenário, o ressecamento ambiental compromete a barreira natural de defesa do corpo: a produção de muco nas mucosas nasais e da garganta diminui, prejudicando a filtração de partículas, poeira e microrganismos. Estudos da publicação BMC Public Health indicam que a exposição prolongada a níveis críticos de baixa umidade pode elevar em até 6% o risco de infecções respiratórias, com impacto ainda maior entre as crianças.

“O ressecamento das mucosas facilita a entrada de agentes infecciosos e alérgenos. Isso aumenta os quadros de rinite, sinusite, bronquite e até infecções virais”, explica a médica.

O outro lado da moeda: frio e excesso de umidade

Quando a gangorra vira e a frente fria se instala trazendo chuva, o desafio se transforma. Ambientes com umidade acima de 60% e mantidos fechados por causa do frio criam as condições perfeitas para a proliferação de fungos, ácaros e mofo.

Essa mudança drástica impede que o sistema respiratório se adapte adequadamente, pois ele é exposto sucessivamente aos danos da dessecação e, em seguida, ao contato concentrado com potentes alérgenos.

“Muita gente acha que só o tempo seco é prejudicial, mas a umidade alta em ambientes abafados também pode agravar quadros respiratórios”, alerta a Dra. Cristiane.

Além disso, a queda repentina de temperatura provoca a vasoconstrição nasal e estimula o aumento na produção de muco denso, o que facilita o aparecimento de gripes e resfriados. A cada queda de 1 °C na temperatura, estudos apontam uma alta média de 4% nas infecções respiratórias.

Como proteger o organismo diante das oscilações

Para enfrentar esse período de instabilidade, a prevenção exige cuidados adaptados tanto para os momentos de seca extrema quanto para os dias frios e úmidos. A higienização frequente das mucosas e o controle do microclima dentro de casa ou no trabalho são as principais ferramentas de proteção.

“A saúde respiratória está diretamente ligada ao ar que a gente respira. Pequenas mudanças no ambiente podem fazer grande diferença para quem sofre com alergias”, reforça Cristiane Passos Dias Levy.

Dicas práticas para encarar a gangorra térmica:

Nos dias secos e quentes:

  • Beba água constantemente ao longo do dia para manter a hidratação corporal;
  • Lave e hidrate as vias nasais com soro fisiológico várias vezes ao dia;
  • Utilize umidificadores de ar, bacias com água ou toalhas úmidas nos ambientes.

Nos dias frios e úmidos:

  • Mantenha portas e janelas abertas durante parte do dia e evite o acúmulo de mofo e ácaros;
  • Evite o uso prolongado de carpetes e mantas que não passam por higienização constante;
  • Higienize casacos e mantas guardados há muito tempo no armário antes de usar.

Fonte : Agência Máquina

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