Vulcão Calbuco – Chile mantém estado de exceção em área de erupção e cinzas podem chegar a Santiago

Cinzas vulcao Calbuco - Chile - Foto Diego Barría - BioBioChile
Cinzas vulcao Calbuco – Chile – Foto Diego Barría – BioBioChile
O Chile mantém estado de exceção por catástrofe nas localidades em torno do vulcão Calbuco, no sul do país, cuja dupla erupção, na quarta-feira (22.04.15), obrigou a retirada de mais de 4 mil pessoas.
O ministro do Interior chileno, Rodrigo Peñailillo, disse que o governo estabeleceu zona de exclusão de 20 quilômetros em torno do vulcão, para proteger a população.
O vulcão Calbuco, localizado na região de Los Lagos, entrou na quarta-feira, de forma inesperada, em erupção, lançando uma enorme coluna de fumaça e de cinzas, mas também expelindo rochas, depois de ter passado quase meio século adormecido.
Em entrevista, o ministro do Interior detalhou que 237 afetados pela erupção vulcânica estão em sete albergues disponibilizados pelo Departamento Nacional de Emergência.
A chefia de gabinete da presidenta chilena, Michelle Bachelet, informou que foram entregues colchões, mantas e alimentos na região de Los Lagos, enquanto na de Araucania foram distribuídas máscaras devido às cinzas do vulcão.
Foi também declarado um alerta sanitário na província de Llanquihue e Puerto Octay, mantendo-se o recolher obrigatório nas comunidades de Puerto Montt, Puerto Varas e Puerto Octay.
Segundo relatórios do Observatório Vulcanológico de Los Andes do Sul, com base na análise de informação recolhida nas estações de monitoramento instaladas perto do Calbuco, o vulcão permanece instável e poderão ser registradas novas erupções.
As cinzas do vulcão chileno Calbuco – que depois de meio século de inatividade entrou em erupção duas vezes, em menos de 24 horas – cruzaram a Cordilheira dos Andes e chegaram à Patagônia argentina, afetando alguns dos destinos turísticos prediletos dos brasileiros: Bariloche, Villa La Angostura e San Martin de los Andes. Segundo o meteorologista Rene Garreaud, da Universidade do Chile, os ventos também podem levar as cinzas a Santiago, na sexta-feira (24.04.15), apesar de a capital chilena ficar a mais de mil quilômetros (km) ao norte do vulcão. Já o Serviço de Meteorologia informou, no seu último relatório, que as cinzas já chegaram a Curicó, cidade a 839 quilômetros do vulcão e a 207 quilômetros a sul da capital Santiago.  O Calbuco, com 2.015 metros de altura, está a mil quilômetros ao sul da capital chilena. O Chile tem cerca de 500 vulcões potencialmente ativos. O Calbuco era considerado o terceiro mais perigoso, mas ninguém estava preocupado em observá-lo, porque estava adormecido desde 1972. Ele despertou abruptamente, depois de 43 anos, na quarta-feira (22.04.15) à tarde, expelindo cinzas e lava. Uma enorme nuvem de 10 km de altura – parecida com um cogumelo gigante – se formou no céu azul da cidade de Puerto Montt, que fica a 50 km. A segunda explosão, mais forte, ocorreu na madrugada de quinta-feira (23.04.15), provocando pânico na população.
O município de Ensenada, a 15 km do vulcão, ficou coberto por uma camada de meio metro de cinzas e houve até chuva de pedras.
Dezenas de voos foram cancelados e cinco postos fronteiriços com a Argentina, fechados. Do lado argentino, o diretor da Defesa Civil de Bariloche, Pablo Cavalli, disse que todos os voos tinham sido cancelados. O transporte terrestre continua funcionando, mas os motoristas foram instruídos a dirigir com muita cautela, por causa da pouca visibilidade. Muitos moradores preferiram ficar em casa ou saíram com os rostos cobertos por máscaras, para evitar respirar as cinzas, que escureceram o céu.
Em 2011, outro vulcão chileno – o Copahue – acabou com a temporada turística da Argentina nas imediações da região de influência da erupção, que todos os invernos acolhe milhares de estrangeiros, ansiosos por ver neve ou praticar esqui. Mas, desta vez, os especialistas dizem que as consequências na Argentina não serão tão sérias.
Para o Chile, no entanto, 2015,  é um ano de sucessivas catástrofes naturais: seis inundações (inclusive no deserto do Atacama, o mais árido do mundo), 20 incêndios e erupções vulcânicas.