Profissionalização no esporte é fundamental para enfrentar a crise econômica

Profissionalização esporte fundamental enfrentar crise econômica
Em tempos de crise econômica, que atinge muitos clubes nacionais, a profissionalização do setor é um passo importante para amenizar os efeitos e iniciar uma recuperação. Esta foi a constatação do diretor da Liga de Futebol Profissional – LFP – da Espanha, José Moya Gómez, que palestrou na manhã de sexta-feira (10.04.15) no 1º Simpósio Internacional de Gestão Esportiva, que acontece até sábado (11.04.15) no Anfiteatro do Clube Sogipa, em Porto Alegre/RS.
Moya citou como exemplo as dificuldades que muitos clubes de futebol da Espanha ainda enfrentam em decorrência da crise econômica na Europa, que estourou em 2008 e também atingiu outros países fora do continente. Neste período, o dirigente teve passagens por clubes menores da Espanha, como o Elche C.F. e o U.D. Salamanca. “Nesta época, a maioria dos clubes da Espanha gastava mais do que arrecadava. E para piorar a situação, a crise afastou os torcedores e as empresas patrocinadoras. Os bancos também não financiavam os clubes, pois não havia garantias que iriam receber o valor emprestado. O caos estava estabelecido”, afirma Moya. A alternativa para superar as dificuldades dos clubes por onde passou foi a profissionalização de todos os setores, campanhas de marketing para atrair sócios e a busca de empresas patrocinadoras.
Segundo ele, o governo espanhol também foi essencial para alterar o cenário negativo. Através de novas regras, foi possível controlar a situação financeira dos clubes, inclusive com as transações de jogadores. Além disso, a venda da transmissão de todos os jogos da primeira e segunda divisão dos campeonatos nacionais é regulada pelo governo, proporcionando maiores verbas aos clubes. Moya afirma que Real Madrid e Barcelona faturam, cada um, 270 milhões de Euros por ano somente com as transmissões televisas.
No Brasil, a gestão no campo esportivo ainda é recente. Conforme o palestrante Fernando de Matos Cruz, presidente da Fundação Sogipa de Comunicações e diretor de formação de atletas olímpicos e paraolímpicos da Confederação Brasileira de Clubes (CBB), a profissionalização dos clubes é lenta porque muitos gestores amadores ainda estão à frente das instituições. Ele também aponta a importância dos incentivos federais para os atletas. “Um estudo mostra que para cada dólar investido do esporte, o governo federal economiza US$ 3 em saúde pública. Todos os gestores no esporte precisam ter consciência da ética e da responsabilidade com os atletas”, avalia Matos Cruz.
O simpósio terá mais palestras agora à tarde, com os seguintes temas: “Elaboração de Projetos Esportivos”, com Renita Dametto; e “Turismo e Esporte: experiência de gestão da Espanha”, com José Moya Gómez.