Supermercados – Reajuste da energia elétrica, alta do dólar e estiagem pesam no bolso do consumidor

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Inflação nos supermercados em 12 meses atingiu 9,14% e a pressão de custos continua sendo a principal causa da alta nos preços
Produtos in natura, leite, pães e importados são apenas alguns dos produtos que tiveram seus preços diretamente influenciados pela estiagem, alta do dólar e pelo reajuste da energia elétrica. A constatação é do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados APAS/FIPE, que apresentou alta de 0,82% em julho e de 6,10% no acumulado do ano.
A título de comparação, a inflação em 12 meses em julho de 2014 foi de 6,51%, contra 9,14% em julho deste ano. A variação mensal no mesmo período de 2014 foi de -0,44%, contra 0,82% em 2015, havendo aceleração da inflação.
 
 
Os vilões
Conforme explicou o economista Rodrigo Mariano, gerente do departamento de Economia e Pesquisa da APAS, os reajustes na energia elétrica continuam afetando os custos da indústria, que se utiliza intensivamente deste insumo para a produção, como é o caso dos panificados, por exemplo.
Outro fator que contribui para a elevação de preços é o período mais seco em algumas regiões do país, que gera menor disponibilidade interna de alguns produtos, diante da redução de oferta. Um bom exemplo é o prejuízo causado na produção do leite, já que a estiagem diminui a qualidade do pasto e desencadeia uma menor produção, elevando os preços do produto.
A variação do dólar ao longo dos últimos 12 meses também impacta os preços de alguns produtos que são importados ou que dependem de insumos importados.
 
Produtos Semielaborados (Carnes, Leite e Cereais) – tiveram alta de 0,88%, impactados, principalmente, pelo preço das aves (2,34%) e do leite (3,36%). A elevação das exportações, diante da abertura do mercado externo, diminui a disponibilidade interna de produto, impactando diretamente os preços. Em relação ao leite, o aumento nos preços está atrelado ao clima desfavorável com temperaturas mais baixas que afetam a produção do leite, principalmente na região Sul.
Industrializados – Tiveram aumento de 0,28%. A causa esteve relacionada à elevação nos preços de derivados do leite (0,84%) e da carne (1,07%).
Produtos In Natura – subiram 2,90% com maior expressividade em frutas (4,75%), legumes (3,01%) e tubérculos (3,94%). Os itens que apresentaram quedas foram: limão (11,72%), maçã (7,18%), mamão (20,71%), tomate (6,66%), batata (5,29%) e cebola (3,21%). Em todos os casos, as temperaturas e os ajustes na quantidade ofertada impactaram a disponibilidade do produto.
Bebidas alcoólicas – Subiram em julho (0,35%), reflexo da elevação do preço da cerveja (0,23%) e do vinho (1,55%).
Bebidas não alcoólicas – Registram alta de 1,21%, diante do aumento nos preços de refrigerante (1,96%).
Produtos de limpeza – Tiveram alta de 1,05%, diante da elevação nos preços do sabão em pó (2,43%) e do sabão em barra (1,08%).
Artigos de higiene e beleza – Subiram 0,61% impactados pela elevação nos preços do sabonete (2,23%) e do shampoo (4,76%).
Na avaliação desde a criação do Plano Real, em 1994, o IPS/APAS apresenta variação acumulada de 183,09%; o IPCA/IBGE (São Paulo) – Alimentos e Bebidas apresenta alta de, aproximadamente, 375,61%; o IPCA/IBGE (Brasil) – Alimentos e Bebidas – tem alta de 392,38%; o IPC-FIPE, de 303,59% e o IPA/FGV de 547,75%.
A diferença entre o IPCA alimentos e Bebidas e o Índice de Preços nos Supermercados é de quase 200 pontos percentuais, indicando a diferença menor do IPS frente aos demais indicadores.
A partir disso, podemos verificar o papel do setor supermercadista na busca pela manutenção dos preços em patamares estáveis, contribuindo para segurar a inflação no Brasil. Porém, vale ressaltar que este esforço na manutenção dos preços impacta negativamente as margens, que já são reduzidas, pois os custos e despesas do setor supermercadista vêm sendo constantemente impactados pela inflação elevada e pelos reajustes expressivos dos preços administrados ao longo de 2015.