Fórum da Liberdade 2015 debateu as instituições brasileiras

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Instituições foi o tema do quarto painel do Fórum da Liberdade 2015, que reuniu o advogado e parecerista, Humberto Ávila; o jornalista, sociólogo, geógrafo e colunista dos jornais O Estado de São Paulo e O Globo, Demétrio Magnoli; e o professor na Universidade de Lisboa e gestor de empresas, Jorge Vasconcellos e Sá, na tarde desta terça-feira (14.04.15), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre-RS.
As causas que explicam porque alguns países são mais ricos que outros, o conceito de liberdade econômica e o cenário brasileiro atual foram as abordagens de Jorge Vasconcellos e Sá durante o painel. “O Brasil está perto do rendimento médio da América Latina, mas as coisas não estão melhorando, pelo contrário, declinam cada vez mais”, disse. Além disso, ele destacou que o Chile, por exemplo, tem 50% a mais de rendimento médio por pessoa do que o Brasil.
“Uma pesquisa da Heritage Foundation divulgou uma lista dos países mais livres onde Hong Kong, Singapura e Nova Zelândia lideram a lista, deixando o Brasil na posição 118 do ranking. Esse país é um dos mais ricos do mundo em recursos naturais, mas vive como uma garrafa meio cheia se comparado a países como Colômbia, Peru e Bolívia, mas é uma garrafa meio vazia em relação a todos os outros”, alertou. Sobre o que faz a diferença para o sucesso de um país, o professor destacou a atitude como primordial. “Atitude é crer que tudo depende da gente e não de forças externas. São as chances que me fazem ou sou eu que faço as circunstâncias? Alguns países acreditam que são os seus próprios criadores de oportunidades”, concluiu. Segundo o palestrante, qualidade da gestão e liberdade econômica são outros pontos importantes para o desenvolvimento econômico de um país.
Demétrio Magnoli elogiou as instituições brasileiras e as classificou como fortes e resistentes. “O judiciário brasileiro é independente, o que não acontece na Argentina ou na Venezuela, por exemplo. O Brasil tem um Ministério Público e uma Polícia Federal que opera independentemente do estado ou do governo”, disse. No entanto, para ele, o governo estatizou alguns segmentos da sociedade civil como os sindicados, que mesmo com a promessa contrária tanto do Lula quanto do seu partido, ainda são considerados braços dos estados, e a estatização dos movimentos sociais por meio do financiamento pelo estado diretamente ou por meio de empresas estatais. Por fim, Magnoli criticou a forma de gestão pública do Brasil com mais de 40 mil comissionados. “Na Alemanha são apenas três mil”, concluiu.
Humberto Avila conceituou instituição como um conjunto de regras para atingir fins específicos. O Poder Judiciário, as universidades e o próprio Instituto de Estudos Empresariais (IEE) são exemplos de instituições. “Para que essas organizações funcionem adequadamente é preciso que algumas ferramentas sejam utilizadas”, disse. Entre essas ferramentas está a informação, ou seja, a produção de dados verídicos, realizada por pessoas que não tenham outro interesse exceto a verdade dos fatos.
O jornalista também salientou a importância de conceitos, regras e uma estrutura eficaz para que as instituições funcionem. “Vale lembrar que conceitos sem forma são vazios, e manifestações sem conceitos são cegas”, acrescentou. É preciso, segundo ele, estruturar o modo como essas organizações são concretizadas, e uma das mudanças está na necessidade de obediência às regras. “As instituições são feitas e construídas por pessoas. O estado não é a salvação para todos os males e parte do problema depende de nós”, lembrou o palestrante.
 
 
FÓRUM DA LIBERDADE
O Fórum da Liberdade é realizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) desde 1988 e reúne, durante dois dias de evento, mais de 5 mil pessoas. Ao longo das 27 edições já realizadas, o Fórum reuniu mais de 70 mil participantes, 245 conferencistas, 7 chefes de Estado, 5 ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, 113 acadêmicos e intelectuais, 16 ministros de Estado e 36 lideranças empresariais. Neste período, foram debatidos temas de cunho econômico, político e social, sempre com o intuito de apresentar à sociedade a opinião de diversas lideranças mundiais e, preponderantemente, abrindo espaço para a pluralidade de ideias. O Fórum alcançou reconhecimento e credibilidade nacional e internacional, através dos grandes conferencistas que reúne em Porto Alegre e da seriedade e dedicação colocada em cada atividade do evento.
Fórum da Liberdade 2015 no Sortimentos.com || Foto : Fernando Conrado – Texto : Enfato