Sexta-feira (24.08.18) no Festival de Cinema de Gramado

Festival de Cinema de Gramado 2018 - Foto Sorticom
Festival de Cinema de Gramado 2018 – Foto Sorticom

Festival de Cinema de Gramado

Programação Sexta-feira, 24 de agosto
15h – Debate 10 ANOS ACCIRS na Sala Diamante do Hotel Serra Azul
A crítica e os festivais, com Marcos Santuario, José Romero Carrillo, Mariángel Solomita, Paulo Henrique Silva e Daniel Feix
16h – Debate longas gaúchos na Sala de Debates do Hotel Serra Azul
Música para quando as luzes se apagam, de Ismael Caneppele
18h – Mostras competitivas no Palácio dos Festivais
:: CMB | Torre, de Nádia Mangolini
:: LMB | O Avental Rosa, de Jayme Monjardim
:: TROFÉU CIDADE DE GRAMADO | Ney Latorraca
:: CMB | Apenas o Que Você Precisa Saber Sobre Mim, de Maria Augusta V. Nunes
:: LMB | A cidade dos piratas, de Otto Guerra
Ney Latorraca encerra sequência de homenagens com o Troféu Cidade de Gramado
Além das últimas exibições da mostra competitiva, na noite de sexta-feira (24) acontece a entrega do troféu Cidade de Gramado ao ator Ney Latorraca. Com uma carreira repleta de sucessos na televisão, o astro sempre se dedicou também ao cinema. Entre 1970 e 2015, foram 22 filmes.
“Tive a sorte de acompanhar os melhores filmes do Ney, que é apaixonado por cinema e estreou fazendo ponta em um filme do cineasta mais querido de São Paulo, Carlos Reinchebach. Depois, foi grande parceiro de vários filmes com o mestre Ruy Guerra (como em ‘A Bela Palomera’ e ‘Ópera do Malandro’). Foi um inesquecível Padre Anchieta nas mãos de Paulo Sarraceni”, depõe, a seu respeito, o curador do Festival de Cinema de Gramado Rubens Ewald Filho.
A homenagem acontece no intervalo da sessão noturna, no Palácio dos Festivais. O ator concede entrevista coletiva a partir das 16h no Museu do Festival.
Longas autorais marcam a última noite da mostra competitiva em Gramado
Dois longas-metragens com a marca mais íntima de seus diretores serão as atrações da mostra competitiva nacional na última noite de exibição do 46º Festival de Cinema de Gramado. “O avental rosa”, de Jayme Monjardim, é publicamente definido pelo diretor – reconhecido por grandes sucessos como “Olga” e “O tempo e o vento” – como seu primeiro “filme de autor”.
Por sua vez, na animação “A cidade dos piratas”, o diretor Otto Guerra literalmente entra em cena para apresentar ao espectador o drama vivido por ele na vida real: a autora dos quadrinhos que deram origem ao filme, a cartunista Laerte, renega suas personagens, e Otto fica sem saber o que fazer para finalizar um filme que já estava financiado.
A noite terá ainda outra animação, o curta “Torre”, de Nádia Mangolini, que apresenta sob a forma de desenhos as duras memórias da família do primeiro desaparecido político durante o regime militar brasileiro. Já “Apenas o que você precisa saber sobre mim”, de Maria Augusta V. Nunes, é um drama adolescente que descortina a violência de gênero.
Festival de cinema de Havana chega aos 40 anos com fôlego renovado
Às vésperas de cumprir 40 anos de existência, o Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, ou como é mais conhecido, o Festival de Havana, quer se renovar e, para isso, busca idéias e soluções na serra gaúcha, neste 46º Festival de Cinema de Gramado.
“Sempre é importante circular por outros festivais, pois nem todos os cineastas se dão conta de que podem inscrever seus filmes em Havana”, justifica um dos programadores do evento, Pedro Ortega Lang, citando como exemplo o filme “Averno”, exibido em Gramado na noite de quarta (22).
O longa é obra de um dos egressos da famosa escola de cinema de San Antonio de los Baños, Marcos Loayza, e embora possua muitos aspectos que se enquadram no perfil do festival de Havana, o diretor não havia lembrado de inscrevê-lo para o evento. “Mas ainda está em tempo. Eu convidei e ele deve estar fazendo a inscrição hoje”, revela Ortega.
Em Gramado, seu companheiro de trabalho, Augusto Marquez, também busca inspiração. Como encarregado do setor de publicidade e marketing do Festival de Havana, ele tem a difícil tarefa de conseguir viabilizar patrocínios para seu evento. “Nossa realidade é muito diferente. Organizamos um festival imenso com estrutura e pessoal infinitamente menor”, salienta.
De fato, o festival do Novo Cinema Latino-Americano reúne centenas de películas. Em geral, algo entre 400 e 450 obras são exibidas. “Mas queremos reduzir um pouco, deixando em 300, para concentrar um pouco a exibição e facilitar para o público”, explica Ortega.
Outra inovação é a criação de uma nova categoria de premiação, exclusiva para “óperas-primas”, ou, em português, para filmes em longa-metragem de cineastas estreantes. Além dessa, há outras quatro categorias: longa de ficção, curta de ficção, documentário e animação. Havana premia ainda o melhor roteiro inédito e promove também um concurso de cartazes. E oferece um prêmio em dinheiro para o melhor filme já em produção, oportunizando a finalização de projetos já em andamento.
Entre as sessões não competitivas, a novidade será criação de uma mostra “Panorama” da produção latino-americana contemporânea, que vai reunir o que de melhor está sendo produzido no continente. Há ainda mostras de cinema experimental, cinema de vanguarda. “Uma que tem feito muito sucesso é a seção da meia noite, em que exibimos filmes de horror e mistério, um gênero que tem se desenvolvido particularmente bem nos países daqui”, complementa.
Neste ano, o festival ocorre entre 6 e 16 de dezembro, em diversos cinemas da cidade. As inscrições para submissão de filmes estão abertas até 30 de agosto.
Cosmologia andina inspira ficção boliviana do gênero fantástico
Averno é o nome do vulcão pelo qual se acessa o inferno na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Este é também o título do filme boliviano na competição de longas estrangeiros no 46º Festival de Cinema de Gramado, embora o Averno da versão cinematográfica seja apresentado como “um lugar do imaginário dos habitantes andinos onde convivem vivos e mortos e onde tudo encontra sua cara oposta”.
É dessa inusitada mistura de influências ocidentais, que vai de Freud à lenda do rei Arthur, com a cosmologia dos povos dos Andes – só na Bolívia são 36 culturas reconhecidas oficialmente pela Constituição – que se nutre o filme do diretor Marcos Loayza. “Todos os mitos de alguma maneira se parecem. Este é um filme feito para mergulhar no mundo subconsciente do espectador”, revela.
A ideia surgiu a partir de um documentário que Loayza estava rodando sobre a Bolívia. “Me dei conta de que há um ponto de vista em comum entre quechuas, aimaras e todos os povos andinos: para todos existe o mundo de cima, o nosso, do presente, e o de baixo, o ‘macapacha’, que não é o inferno, é um lugar onde tudo convive”, explica o diretor.
É nesse local (chamado no filme de “Averno”) que o protagonista Tupah precisa encontrar um tio, trombonista do conjunto Fusion los Andes, que é convocado por um mafioso da região para tocar em um enterro. Por ser tarefa encomendada por um chefe local, Tupah não pode recusar o desafio e precisa partir da realidade da favela onde vive – cercada de perigos reais como bandos criminosos e becos escuros – para entrar no mundo mágico de Averno onde seres fantásticos e mitos locais convivem.
Embora não tenha pretensão de ser um tratado antropológico, o resgate da cultura oral dos povos tradicionais bolivianos tem chamado atenção no país, onde o filme já foi visto por 30 mil espectadores nos cinemas. “Acho que é o campeão de bilheteria entre os filmes bolivianos”, explica o produtor Santiago Loayza.
“Vimos muitos anciãos no cinema com seus netos, dizendo a eles que aquilo que mostrava o filme era a verdade”, complementa o irmão Alejandro.
Ao intérprete de Tupah, Paolo Vargas Ampuero, restou conter toda a expressividade que aplica tradicionalmente na dança e no teatro para representar o tipo comumente associado ao habitante andino. “Foi um trabalho diferente de tudo que fiz anteriormente. Foi preciso limpar caretas, quase não ter reações visíveis pelo rosto, mas manter um forte sentimento interno, que se expressa pelos olhos”, explica o ator.