Comércio caxiense inicia ano com desempenho negativo

CDL Caxias do Sul
Comércio caxiense inicia 2015 com desempenho negativo. Situação econômica do país está impactando diretamente os resultados do comércio local
As incertezas econômicas e políticas, agravadas pelos escândalos de corrupção estão minando os índices de confiança do empresariado e dos consumidores. Prova disto é que o comércio local apresentou uma queda expressiva tanto em relação a dezembro de 2014 (37,52% negativos), quanto no comparativo a janeiro de 2014 (22,86% negativos). Apenas o segmento de “livrarias, papelarias e brinquedos” apresentou um crescimento positivo de 87,36%. Os demais segmentos tiveram queda em relação a dezembro do ano passado.
Quando a comparação é com janeiro de 2014, alguns segmentos conseguiram apresentar um crescimento positivo: no ramo duro: “óticas, relojoarias e joalheiras” (13,45%) e “materiais de construção” (1,93%); já no ramo duro apenas o segmento de “produtos químicos” cresceu positivamente em 10,93%.
Na avaliação da assessora de Economia e Estatística da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul, Maria Carolina R. Gullo, em relação as vendas, o bom desempenho de livrarias, papelarias e brinquedos em relação a dezembro se explica pelas compras de material escolar realizada, tradicionalmente, de dezembro a março. No entanto, percebe-se que o desempenho de 2015 não repetiu os números de janeiro de 2014. “Aqui pode ter ocorrido uma antecipação das compras em dezembro (as vendas foram 41% maiores em relação a novembro, mas negativas quando comparadas com o ano anterior) ou ainda um protelamento das compras para fevereiro e março a confirmar quando saírem os números desses meses”, explica ela.
No segmento de óticas, relojoarias e joalherias o bom desempenho pode ter sido causado, sobretudo, pela venda de óculos, tanto de grau como de sol, aproveitando as férias. Os demais segmentos amargam crescimento negativo evidenciando o fraco desempenho do comércio neste início de ano. “Embora janeiro seja um mês de fracos resultados, é impactante a magnitude do desempenho negativo, principalmente quando se vem de um ano ruim para o comércio”, conclui Carolina.
Quanto ao emprego, a economista acredita que não há surpresas. O comércio (-234) e a indústria (-140) apresentaram saldo negativo de vagas em janeiro, ou seja, demitiram mais do que admitiram. “Dezembro e janeiro são meses de ajustes no mercado de trabalho, portanto é natural um movimento de dispensas. Apesar disso, o setor de serviços contratou mais do que admitiu em janeiro”, diz a economista.
Diante deste cenário, Maria Carolina acredita que não deve-se esperar números muito diferentes no primeiro semestre do que foi visto em janeiro. “Devemos acompanhar a situação das chuvas no Sudeste e a recuperação dos mananciais para o abastecimento de água e para a geração de energia. Se melhorar esta situação, os custos com geração de energia elétrica param de aumentar”, espera ela.
Por outro lado, a economista acredita que as incertezas políticas ficarão minimizadas quando a inflação der sinais de queda, o que segundo ela, ainda deve demorar um pouco para ocorrer. “A cesta básica de Caxias do Sul, por exemplo, em fevereiro, subiu 2,2%, ou seja, a inflação persiste em trajetória de alta”, alerta.
Inadimplência
Em relação a inadimplência, as consultas realizadas pelos lojistas diminuíram nos dois comparativos: dezembro de 2014 (3,86%) e janeiro de 2014 (23,92%). O mesmo movimento, nos dois comparativos, ocorreu com as consultas realizadas pelos consumidores junto ao balcão do SPC, ou seja, diminuição de 9,58% em relação ao mesmo período de 2014 e de 14,21%, em relação ao mês anterior (dezembro/14).
Já o registro de cheques no sistema SPC diminuiu 11,83% em relação a janeiro de 2014, mas aumentou 28,52% em relação a dezembro/14. Em contrário, os novos registros no SPC de débitos aumentaram em 11,68% no período janeiro/14 e diminuíram em 3,18% em relação a dezembro/14. E o número de cancelamentos, tanto de cheques quanto de débitos, diminuíram em relação a janeiro de 2014 e, em relação a dezembro de 2014. Por fim, o número de CPFs na base do SPC aumentou tanto em relação a dezembro de 2014 como a janeiro de 2014.
Sobre a questão da inadimplência, Maria Carolina acredita que devido ao fraco desempenho do comércio em janeiro, é natural uma queda nas consultas realizadas pelos empresários ao sistema SPC e até dos consumidores em relação a sua situação no sistema. “Da mesma forma, a inadimplência costuma aumentar nos meses subsequentes ao Natal tendo em vista as diversas responsabilidades financeiras de início de ano e de excessos cometidos nas compras de dezembro. Com isso o número de CPFs na base aumentou um pouco”, conclui.