Brasil – Protestos contra a corrupção e governo Dilma Rousseff (PT) terminam de forma pacífica

Protesto contra governo Dilma Rousseff Fotos Publicas 12 de Abril 2015 06
A manifestação em São Paulo contra o governo Dilma Rousseff (PT) e a corrupção ocorrida começou a se dispersar pouco depois das 18h. No final da tarde, em seu perfil na rede social Twitter, a Polícia Militar (PM) divulgou que, às 16h, os protestos na Avenida Paulista reuniram 275 mil pessoas. Segundo a PM, o ato ocorreu de forma “absolutamente pacífica”. Na manifestação do dia 15 de março, a corporação contabilizou 1 milhão de pessoas.
O protesto teve início às 14h, porém, ao meio-dia, a PM interrompeu o tráfego na avenida para facilitar a concentração dos manifestantes. O ato reuniu diversos grupos, sendo que parte deles pedia a saída da presidenta Dilma Rousseff. Alguns chegaram a pedir intervenção militar. Em uma reunião com a PM, foram determinados pontos fixos para os carros de som dos diferentes movimentos.
Foram montadas ainda tendas, pelo partido Solidariedade, para a coleta de assinaturas de apoio a um pedido de impeachment da presidenta. Um grupo de caminhoneiros da Grande São Paulo estacionou na Rua da Consolação em apoio ao protesto.
André Araújo, de 34 anos, foi ao ato deste domingo porque considera a condição atual do país inaceitável e enumerou como principais problemas a corrupção, a má gestão, o desperdício dos recursos públicos, o aumento dos impostos, a inflação e o que ele considera uma má condução da economia.
“A manifestação é uma maneira da população se expressar e isso ecoar para outras pessoas. Isso tem uma repercussão na mídia, nas cidades do interior, para as pessoas que também compartilham dessa opinião”.
A aposentada Julia Maria, de 78 anos, manifestou-se contra a corrupção e defendendo mais oferta de serviços públicos que atendam às necessidades do povo. “Eu não tenho saúde, não tenho educação, não tenho segurança, não tenho nada. Não tem nada de satisfatório. É péssimo em todos os setores, federais, estaduais e municipais”, disse. Julia pediu que o governo invista em educação e cultura, principalmente.
Marta Matos, de 52 anos, também está insatisfeita com os serviços públicos e a corrupção e disse que o governo precisa respeitar a população e trabalhar pelo povo. “Não quero ‘Fora Dilma’, não quero impeachment, só quero que [os governantes] tenham vergonha na cara e comecem a agir como políticos que eles são”, disse.
Marta estava ao lado do marido, Paulo Matos, de 54 anos. Para ele, a corrupção é a questão mais preocupante no país atualmente. “A ansiedade e expectativa por mudança me trouxe para cá, não podemos ficar aguardando as coisas acontecerem. Temos que ser mais politizados e tentar mudar de alguma forma essa situação”, ressaltou.
O movimento SOS Forças Armadas, que defende a intervenção militar, teve a menor adesão entre as organizações que protestaram na Avenida Paulista na tarde de hoje. Em reunião com a Polícia Militar, os grupos que convocaram a manifestação definiram lugares fixos para os carros de som. Antes, o Movimento Brasil Livre chegou a acionar a Justiça para que os grupos que defendiam a intervenção militar mantivessem distância do carro de som do movimento. Com o acordo, cada grupo ficou com um espaço definido, e o Brasil Livre desistiu da demanda judicial.
Na opinião de um dos organizadores do SOS Forças Militares, Mauro Guimarães, a rejeição dos outros movimentos em relação ao grupo é fruto de preconceito. Segundo Guimarães, que é professor de inglês e já serviu o Exército, a reivindicação do movimento é baseada no Artigo 142 da Constituição.
Esse trecho da Carta Magna determina as atribuições e o funcionamento das Forças Armadas. Guimarães, no entanto, acrescenta, por conta própria, uma suposta previsão de intervenção militar ao texto constitucional. “A intervenção militar é quando o povo pede”, diz para tentar diferenciar a intervenção de golpe militar, como o que levou à ditadura iniciada em 1964 e que durou até 1985.
No período, o Estado brasileiro restringiu as liberdades individuais e praticou violações dos direitos humanos. A imprensa foi censurada e a liberdade de expressão suprimida. A tortura foi usada nos interrogatórios dos opositores do regime.
Pelo menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram por ação dos agentes da repressão. Mas, segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, o número não leva em conta os camponeses e indígenas que também sofreram com as ações dos agentes da ditadura. A identificação dessas pessoas deverá aumentar o número de vítimas da ditadura.
Protesto contra governo Dilma Rousseff Agencia Brasil 12 de Abril 2015 05
A manifestação contra a corrupção, mostrando a insatisfação com o governo federal e pedindo a renúncia da presidenta Dilma Rousseff no Rio de Janeiro, dispersou-se por volta das 15h, de forma tranquila. A manifestação começou às 10h e foi organizada pelas redes sociais.
Apesar das insatisfações com o governo e com a corrupção terem sido as principais motivações do protesto, que ocorreu na orla de Copacabana, zona sul do Rio, algumas das reivindicações eram diversas e por vezes antagônicas.
Ao lado de um grupo que pedia a volta da ditadura militar no país, jovens do Movimento Revolucionário Socialista defendiam a tomada do poder pelos “reais representantes da classe trabalhadora”. Professor de filosofia, Daniel de Freitas, de 24 anos, explicou que desde 2013 o movimento faz campanha pelo voto nulo nas eleições. “Queremos um governo feito por organizações só de trabalhadores: sindicatos, partidos criados pelos trabalhadores, organizações sociais. Sem a presença de empresários”, declarou.
Um grupo de ex-funcionários da Varig exigia o pagamento de indenizações aos cerca de 10 mil demitidos e aposentados da extinta companhia aérea. “O problema começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas esperamos que a justiça se faça no governo petista, pois são eles que estão no poder”, disse a ex-comissária de voo da companhia Deise Amorim Mattos.
O publicitário Fernando Campos, de 46 anos, pedia uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Não podemos ter um banco tão importante para o fomento público sem transparência sobre seus financiamentos. Isso se tornou uma caixa-preta. O BNDES está financiando o aparelhamento do Estado brasileiro”, declarou ele, que é integrante do Movimento Vem pra Rua, um dos organizadores da manifestação. “No começo, o movimento era uma pouco mais difuso, agora está amadurecendo e ganhando reivindicações concretas.”
Policiais federais se organizaram no ato em prol da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 412, que determina mais autonomia financeira, administrativa e funcional à instituição para investigar casos de corrupção. Grupos pediam a diminuição do número de ministérios do governo federal, que hoje é 38.
Os organizadores do evento estimaram que cerca de 20 mil pessoas participaram do ato. No total, 800 policiais militares – dos batalhões de Botafogo, do Méier, de São Cristóvão, do centro, da Tijuca, de Olaria, da Ilha do Governador, de Copacabana, da Maré e do Leblon – acompanharam a marcha. A Polícia Militar não divulgou uma estimativa oficial do número de manifestantes.
Protesto contra governo Dilma Rousseff Agencia Brasil 12 de Abril 2015 12
Balanço final da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) sobre a manifestação contra a corrupção, a favor da democracia e pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff realizada em Brasília, mostra que o movimento teve um pico de concentração de 25 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.
Assim como no ato de 15 de março, a manifestação de hoje transcorreu em clima pacífico e sem ocorrências graves registradas pelas autoridades de segurança. “Tivemos hoje, no pico de concentração dos manifestantes, em torno de 25 mil pessoas. Não tivemos registro de ocorrência de gravidade. Foi bem tranquilo e a polícia agradece a forma de participação da população, bem ordeira, tranquila e pacífica”, destacou o chefe do Departamento Operacional da PMDF, coronel Lemos. No ato promovido há cerca de um mês, também na Esplanada, a PM estimou a participação de 45 mil pessoas.
Convocada pelas redes sociais, a manifestação em Brasília teve concentração na região central administrativa da cidade. Por volta das 9h, os manifestantes começaram a chegar para o ato e se concentraram em frente à Biblioteca Nacional de Brasília e ao Museu da República. Por volta das 10h, as pessoas, na maioria com roupas nas cores verde e amarelo e carregando bandeiras do Brasil, saíram em passeata em direção ao Congresso Nacional.
Desde o início dos protestos, os gritos de ordem eram contra o PT, a presidenta Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a corrupção e pelo impeachment. Os manifestantes também pediam a redução do número de ministérios e de deputados, além de mudanças na legislação eleitoral para acabar com a suplência para o cargo de senador. Outro pedido dos manifestantes era a saída do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli do cargo por ter sido advogado do PT e indicado à Corte por Lula.
Em diversos momentos, os trios elétricos tocaram o Hino Nacional, que era cantado pela multidão. Um pequeno grupo, autointitulado A Ordem Dourada do Brasil, pedia a “intervenção militar constitucional”. Na chegada dos manifestantes ao gramado do Congresso, dois grupos se desentenderam, um que gritava pela democracia e outro que pedia a intervenção das Forças Armadas. Foi necessária a atuação de policiais militares para conter o tumulto.
Cerca de três horas depois do início da manifestação, as pessoas começaram a se dispersar e o ato foi encerrado.