Ana Mello – Histórias para contar

Ana Mello - Histórias para contar

Histórias para contar
por Ana Mello

Este ano a empresa em que eu trabalho completa setenta anos, muitas histórias foram escritas
nestes anos, histórias de trabalho, descobertas, realizações, vidas de pessoas que estiveram
envolvidas neste grupo. Em paralelo ocorreram muitas outras engraçadas, pitorescas,
que os funcionários contam e recontam acrescentando detalhes aumentando a dramaticidade,
recriando a ficção. Acompanhei muitos fatos e também recontei da minha maneira algumas delas.
Aproveitando agora a comemoração dos bem vividos trinta e três anos em que estou compartilhando
minha vida com este grupo vou reviver algumas destes acontecimentos divertidos.

Em uma das diversas vezes em que fui presidente da CIPA, entravei uma batalha contra as cobras
que teimavam em entrar nas salas e apavorar os funcionários. Encontrávamos desde inofensivas
cobrinhas verdes e falsas corais, até jararacas de verdade e corais verdadeiras. Fizemos palestras,
trouxemos especialistas no assunto e até confeccionamos caixas para transportar as capturadas
para locais adequados.

Foram muitos pedidos e reclamações para a direção da empresa que duvidava da real existência
dos ofídios. Conta-se que depois disso chegou à mesa do diretor, dentro de um vidro de laboratório,
um exemplar de coral verdadeira.

O homem ficou muito irritado e resolveu mandar confeccionar uns bastões de madeira com placa
de patrimônio e tudo. Os famosos paus de matar cobra que existem até hoje e os presidentes
da CIPA repassam em todas as eleições. A CIPA sempre tem grande preocupação com as lesões
que acontecem fora do horário de expediente.

Toda a empresa tem um campinho de futebol e rola um joguinho no intervalo do almoço.
A diferença é que nosso campo era rodeado de mato e numa jogada mais rápida e com chute
muito forte a bola foi cair no meio das árvores. O goleiro, na vontade de colocar logo a bola
em jogo e tentar desempatar a partida, correu em busca da redonda. Foi rápido e voltou
mais rápido ainda. Com os olhos arregalados ele gritou: -Tem uma cobra com a nossa bola!

Formou–se um grupo e todos foram conferir. Estava lá, uma enorme jararaca.
Ela tinha comido algo bem grande e estava em sono profundo, digerindo a refeição bem do lado
da bola. Os corajosos jogadores colocaram o bicho em um aquário de vidro que estava vazio
e tamparam com uma lâmina de madeira. Ela ficou uns dias em exposição esperando a chegada
da fundação zoobotânica para o resgate. À medida que a barriga diminuía ela acordava e dava botes
no vidro, realmente de dar medo. Por via das dúvidas, essa ninguém mandou para o diretor.

Se foi verdade eu não sei, só sei que eu vi porque estava lá.

Ana Mello

Escritora, poeta, professora, especialista em informática na educação.
Colunista semanal aqui e no Diário de Cachoeirinha. Colunista e editora no portal Artistas Gaúchos
e na Revista Veredas, representante do Movimento Poetrix no RS. Argonauta da internet,
seduzida por minicontos, rimas e quadrinhos. Exibida e divertida está espalhada
em palavras pela internet, em e-books e em dois livros de papel –Minicontando e Perseu.
Pode ser encontrada também no twitter, no facebook e nosite http://anamelloescritora.com.br

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