
Diferenças e semelhanças
por Ana Mello
A empresa onde trabalho, completa 70 anos este ano, mas está sempre querendo inovar
e transferir aos seus funcionários motivação para fazerem o mesmo.
Dentro de um programa que temos chamado Programa de Responsabilidade Social,
está inserido um projeto de treinamento para inclusão digital. Vários funcionários
terceirizados já foram treinados nas primeiras turmas e agora duas turmas
de funcionários estão dando os primeiros passos na era digital.
Nenhum deles é bem jovem, todos já passaram dos 40 anos e um deles é recordista,
o senhor Ivo Rosa, com oitenta e três anos de idade e sessenta e três anos na empresa.
Ele tem dificuldade para controlar o mouse, precisa repetir algumas coisas várias vezes
e nem por isso pensa em desistir, quer aprender sempre mais. Os outros colegas
também são muito interessados, destaquei-o por ser um exemplo para todos na turma.
Substitui o professor titular do curso em algumas aulas e adorei poder ensinar
um pouquinho do que eu sei e uso quase sem me dar mais conta do significado,
como escrever um texto, formatar, desenhar. Navegar na internet já é automático
para mim e os passos pequenos, os cliques, são rápidos e apressados.
Na penúltima aula estudamos um editor de texto e uma ferramenta de desenho
e eles me pediram para ensinar como ver o contracheque na internet,
como olhar as notícias, ver o tempo e tudo mais que fosse possível.
Cumpri o prometido e foi muito bom. Diferente das crianças que vão clicando
sem perguntar, os mais velhos têm medo e sempre acham que fizeram algo errado
quando não reproduzem o que foi sugerido, mas vão se soltando.
Levei para eles um vídeo que eu adoro e no fim da aula assistimos juntos.
O vídeo é “O buraco no muro” que mostra uma experiência na Índia onde crianças
se deparam com computadores incrustados nos muros e podem tocar,
experimentar e aprender por conta própria. Está na web, todos podem acessar.
Isso causou emoção nos alunos, porque eles sentiram que também podem e devem
ser incluídos. Aprender torna-os importantes e valorizados. E se as crianças podem,
eles também. O vídeo fala de um grande abismo que vai separar as pessoas
se não acabarmos com a falta de conhecimento e conhecimento começa com informação
e habilidade para processá-lo.
Espero nunca desistir de aprender e ensinar, nunca perder a esperança de algo melhor.
Muito bom poder contribuir com o crescimento pessoal de outras pessoas.

Ana Mello
Escritora, poeta, professora, especialista em informática na educação.
Colunista semanal aqui e no Diário de Cachoeirinha. Colunista e editora no portal Artistas Gaúchos
e na Revista Veredas, representante do Movimento Poetrix no RS. Argonauta da internet,
seduzida por minicontos, rimas e quadrinhos. Exibida e divertida está espalhada
em palavras pela internet, em e-books e em dois livros de papel –Minicontando e Perseu.
Pode ser encontrada também no twitter, no facebook e nosite http://anamelloescritora.com.br
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