20 de junho de 2013

Ana Mello – Depois do Dia dos Namorados

Ana Mello Colunista Ana Mello no Sortimentos.com

Um amigo apaixonado resolveu dar para sua mulher no dia dos namorados – flores.
Na saída do trabalhou lembrou-se de uma linda floricultura no caminho da casa
de sua mãe. Há anos ele faz aquele caminho e sempre admira a variedade de flores
na fachada da loja. Certamente encontraria o presente perfeito.

Apressou-se para pegar a loja aberta, pois o dia era de comprar flores e logo imaginou
que haveria fila ou talvez nem encontrasse mais muitas opções para escolher.
Porém uma surpresa, estacionamento livre, ninguém na loja e dois vendedores
para atendê-lo.

Na presença de tantas flores, pediu a vendedora um buquê de rosas.
A moça informou que ele devia escolher qual tipo e cor ele gostaria.
Ele olhou com mais critério e resolveu tocar em um das rosas. Não era natural.
Então ele pediu pelas naturais e ela esclareceu que não trabalhavam com flores
naturais. A loja era um daqueles atacados de flores artificiais usadas em decoração.
Mico dos grandes, ou orangotango. Não, acho que foi distração ou um daqueles enganos
que o cérebro nos prega. Temos certeza que algo é de um jeito, por anos,
quase a vida toda e de repente, enxergamos de outro modo, de forma totalmente
diferente. Orquídea foi a flor escolhida pelo meu amigo para presentear a esposa
depois te ter quase comprado na floricultura errada, desta vez uma linda flor natural.

Dar flores é uma receita infalível para a maioria das mulheres, só não gostam
as que têm alergia ou se o namorado ou marido escolher um cactos
ou uma planta carnívora.

Não só na internet, mas na vida real também, todos gostam de dar receitas.
Receitas de comidas, bebidas, para vencer na vida, para emagrecer,
para ser feliz e as famosas receitas para um relacionamento amoroso perfeito.
Leio todas que posso e dou conta porque acho que sempre pode render uma boa
história ou quem sabe de lambuja aprendo alguma coisa. Achei durante essas minhas
leituras um texto bem legal da Juliana Amaral que trata dos erros que as pessoas
repetem nos relacionamentos. Fracassam e não tiram nenhum proveito,
não pensam e acabam repetindo sempre as mesmas bobagens.

Sete erros importantes: intolerância, ciúmes, inadequação, infantilidade,
dificuldade em comprometer-se, dificuldade em lidar com perdas e ganhos
e pouco conhecimento de sua personalidade e mundo interno.

Alguns itens são básicos como ciúmes e infantilidade. Acho que é fácil
para qualquer um compreender como isso atrapalha, mas é preciso também saber
lidar com as diferenças, com aquela mania horrorosa que muitos parceiros
têm de falar mal e se queixar do outro, completamente inadequado.
Além disso, não comprometer-se é o mesmo que fingir que a relação não existe,
é só uma brincadeira. Superado somente pelo fato da pessoa não se conhecer,
não aprender com o que lhe acontece na vida e conseqüentemente não mudar
em nada nunca. E podemos sim mudar sempre, a qualquer hora, é só perceber
que algo não está bom e trabalhar pelo melhor. Fácil, é minha receita.

Ana Mello

Escritora, poeta, professora, especialista em informática na educação.
Colunista semanal aqui e no Diário de Cachoeirinha. Colunista e editora no portal Artistas Gaúchos
e na Revista Veredas, representante do Movimento Poetrix no RS. Argonauta da internet,
seduzida por minicontos, rimas e quadrinhos. Exibida e divertida está espalhada
em palavras pela internet, em e-books e em dois livros de papel –Minicontando e Perseu.
Pode ser encontrada também no twitter, no facebook e nosite http://anamelloescritora.com.br

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