
Circo
por Ana Mello
Minha primeira incursão ao mundo do circo me causou surpresa, medo e alegria.
Emoções comuns a muitas crianças quando se deparam com novidades.
É um misto de perturbações boas e ruins. Na época os circos possuíam animais
que eu só tinha visto em livros ou no zoológico. Quando meu filho era pequeno,
o que já faz quase vinte anos, levei-o pela primeira vez ao circo e antes do espetáculo,
noturno anterior precisamente, era possível visitar as instalações do circo onde ficavam os animais
e presenciar a limpeza e alimentação. O que talvez acontecesse para que o público
pudesse constatar que os animais não eram maltratados, uma mentira,
porque na verdade um animal selvagem ser adestrado e privado do seu ambiente natural
é sim maus tratos.
Os anos passaram e os circos não trazem mais animais, pelo menos os minha cidade
– Porto Alegre, onde é proibido. Não é lei federal ainda, mas espero que seja em breve.
Circo legal não tem animal.
Mas o que me surpreendeu quando levei meu filho para ver vários elefantes pela primeira
vez foi o que ele disse: Que cheiro ruim de cocô de elefante. Ou seja, não há grandiosidade
que resista a uma simples defecada.
O conceito de simples é relativo, depende do ponto de vista e da experiência do observador
e do executor. Pisar na bola, errar impensadamente, acontece para qualquer um,
é uma vacilada que acaba com a fama de qualquer pessoa, mesmo que tenha antes só acertado.
Hoje é bem mais fácil errar sem ter como apagar este erro de jeito nenhum.
Culpa da internet, publicou, já era, o delete é um conceito muito relativo.
O melhor mesmo é evitar ao máximo determinadas situações que podem causar constrangimentos.
Coisas que sempre foram validas mesmo antes dos avanços tecnológicos. Por exemplo,
não tire fotos sem roupa, não exagere na bebida, principalmente nas festas do trabalho.
Opine com moderação e sobre coisas que são de domínio público. Nada de falar do seu emprego
nas redes sociais, difamar produtos ou empresas sem provas só porque se sentiu ofendido.
Não julgue o comportamento alheio sem pensar nas consequências.
E não se esqueça da frase do Freud: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro
que de Paulo”. Canso de ficar observando pessoas falando mal de outras que são bem próximas
e logo penso no Freud. Quando escorrego e me pego fazendo a mesma coisa também penso
quem sou eu nessa conversa, onde eu quero chegar.
As cenas da vida parecem um circo, a plateia paga para rir, para se divertir e isso é o mais importante,
independente de quem seja no picadeiro, o palhaço.
Ana Mello
Escritora, poeta, professora, especialista em informática na educação.
Colunista semanal aqui e no Diário de Cachoeirinha. Colunista e editora no portal Artistas Gaúchos
e na Revista Veredas, representante do Movimento Poetrix no RS. Argonauta da internet,
seduzida por minicontos, rimas e quadrinhos. Exibida e divertida está espalhada
em palavras pela internet, em e-books e em dois livros de papel –Minicontando e Perseu.
Pode ser encontrada também no twitter, no facebook e nosite http://anamelloescritora.com.br
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