
O grupo Vanguart apresenta o show “Boa Parte de Mim Vai Embora”
no dia 20 de dezembro no Studio SP (Rua Augusta, 591), em São Paulo / SP.
A apresentação está marcada para as 23h e a entrada custa R$25,00.
Boa Parte de Mim Vai Embora
“Boa Parte de Mim Vai Embora” é um marco na história da Vanguart,
banda formada em 2004 em Cuiabá/MT. Até então, o quinteto enfrentava
tiroteios entre a inspiração em Beatles e Bob Dylan e versos em português e inglês.
Três anos depois do bem-sucedido álbum de estreia,“Vanguart”,
oxigenado pela mudança para São Paulo, por novas influências
– cantores como Dorival Caymmi, Roberto Carlos e Elizeth Cardoso
e poetas como Walt Whitman –, e moída e remoída por encontros e desencontros
amorosos, o grupo nunca soou tão coeso, tão western.
À parte “Mi Vida Eres Tu”, com refrão em perfeito espanhol, o álbum todo
é cantado em português. Escancaradamente inspirado na mais confessional
das obras de Dylan, “Blood onthe Tracks”, “Boa Parte de Mim Vai Embora”
é romântico do primeiro ao último acorde.
Tudo gira em torno da inquietação: o amor pode ir e voltar quantas vezes?
Até onde podemos ir entre o orgulho do rompimento e a redenção da volta?
Não se fala na paixão ou na descoberta do amor, mas no confronto com a perda,
com a sarjeta e com a cara na porta – e com a desbragada vontade de bater
à porta fechada, sem esperança, mas também sem medo.
O tema da ausência é conjurado já na capa: em duotone, quatro mulheres
à frente de uma casa antiga – os homens, enxotados ou perdidos,
devem estar do lado de fora, com cara de cachorro, implorando por voltar
(as mulheres são amigas da banda : Fernanda Kostchak, Cida Moreira,
Daniela Dams e Rafaela Tomasi).
Mas Vanguart espanta a maldição do segundo álbum encarando com calma
seus demônios. Se há momentos de placidez folk, há sobretudo uma lucidez
agridoce em esgarçar as feridas; o álbum soaria trágico não fosse o sofisticado
iê-iê-iê que embala essas treze melancólicas canções.

Ao mesmo tempo em que apresenta novas ideias para as alternâncias de dinâmica
que são a marca da banda, o quinteto aprofunda a peculiar maneira como exerce
o contraste tramado entre a pulsação forte e veloz do instrumental e as notas
alongadas da melodia-guia. Atente-se, aliás, à maturidade dos vocais
do frontman Helio Flanders, cujo registro passeia do confortável ambiente
‘dylanesco’ às paisagens melodramáticas de grandes crooners da torch song
como Cida Moreira, Cauby Peixoto e Rufus Wainright, impondo-o como um
dos cantores de frente da nossa música pop contemporânea.
O álbum foi registrado no esquema ao vivo em somente três dias no Estúdio Inca,
em Cuiabá. Juntou-se ao quinteto a violinista e arranjadora Fernanda Kostchak,
responsável por colorir o som do grupo com atmosfera ora clássica ora cigana.
O rock rural brasileiro, tradicionalmente escapista, antiurbano e ingênuo,
foi reinventado com romantismo sujo na cidade, e por uma banda matogrossense:
a novidade não é pequena. Felizmente, apesar de todos os desenganos,
salva-se um álbum conceitual corajoso ao enfrentar dissabores com coração limpo
e suave. No faroeste amoroso do Vanguart, os letreiros The End fazem legenda
ao herói que vai embora a galope, sangrando, mas ainda vivo – depressa,
depressa e devagar.











