E, o Mundo não Acabou… E Agora ? por Domício Brasiliense

25/12/2012 || 16:01 |   

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E, o Mundo não Acabou… E Agora?

Quando fazemos uso da preposição “e” estamos complementando uma ideia
ou ligando algo a ela. É assim que somos: seres que demonstram ânsia em
compreender, dissecar e concretizar quase tudo que compõe nossas vidas, dando
relativa visibilidade para que possamos nos perceber no mundo.

O “e” complementa o inacabado e se soma à realização, fazendo da vida muito
mais do que o momento presente; possibilidades para o futuro. Então, o “e” é a
interligação necessária para alimentar a esperança naquilo tudo que para nós é, no
momento presente, frustrante em relação às nossas expectativas, que nada mais são
do que a nossa espera na esperança de virmos a ser o que almejamos.

Expectar deveria somar-se a prospectar, isto é, deveríamos analisar nossas
vidas de forma minuciosa, entendendo nossa real necessidade, repensando nossos
motivos, viabilizando um novo contexto em terreno fértil. Destarte, estaríamos em
condições de obter retorno em relação ao nosso plantio, que seria o mesmo que
concretizar algumas de nossas esperanças.

Contudo, a preposição “e” pode significar uma dúvida, o instante eterno do
impasse ante uma situação. Por vezes, meio que congelamos na dubiedade, nos
levando à sensação de incompetência que, somada a outras fragilidades, possa nos
convencer quanto à nossa inabilidade em viver, tornando esta trajetória um marasmo
em relação ao quanto poderíamos fluir.

Mas, o “e” pode ser continuidade, o et cetara necessário para que prossigamos
na direção que desejamos para a nossa complementaridade. Pode representar a
ausência do fim, porque este somente é real na nossa criação mental, na ânsia que
temos de pragmatizar as coisas da vida, pois tudo é um continuum e o desejo deve ser
nossa motivação.

Nesse misto de “es”, somados a um mundo conturbado que massacra a ética e
compromete valores essenciais, temos a tendência em acreditar mais no fim do que na
continuidade, declarando nossa inaptidão de regerenciar nossas vidas. Damos aos “es”
a conotação de “ex”, como se tudo fosse de curta duração, como se tudo fosse mais
passado do que presente e futuro. Assim, desacreditados, matamos as possibilidades.

Enfim, não aconteceu, o mundo não acabou. E agora, o que vamos fazer?
Vamos ter que continuar aqui, juntos. Talvez seja este o fim de que precisamos: enfim,
estarmos dentro, pertencentes como sujeitos em tudo que possa terminar, mas que
sempre é continuidade; um “e” que nos impulsiona para a transcendência que
precisamos realizar. Talvez aí possamos dizer: Enfim, estou vivendo a vida porque

acredito em mim e no melhor que eu possa ser, nem que seja somente por hoje.

DOMÍCIO BRASILIENSE

DOMÍCIO BRASILIENSE

Doutorando em Psicanálise, Educação e Saúde, Pós-Graduado em Psicologia Transpessoal
pela Associação Luso Brasileira de Transpessoal – ALUBRAT/RS.

Especialista em Terapia Familiar e de Casal e Graduado em Pedagogia pela FAPA/RS –
Faculdade Porto-Alegrense de Educação Ciências e Letras.

Psicoterapeuta Transpessoal, autor do livro O Encontro de Eus – Um caminho…
Uma vida diferente. Domício utiliza de sua facilidade de empatia, compreensão e impulso
com o ser humano para realizar um trabalho que vem conquistando o público e os leitores.

Há 23 anos dedica-se à área da Educação e Recursos Humanos, sendo 15 anos
como Professor e Orientador Educacional, 15 anos como Terapeuta Familiar
e como Psicoterapeuta Transpessoal com atendimentos individuais e em grupo.
Presta assessoria organizacional na área das capacidades das relações humanas em diversas
empresas e instituições.

Realiza palestras nas áreas de Filosofia, Psicologia e Sociologia da Educação;
Orientação e Carreira Profissional; Interrelações na Sociedade; Relações Interpessoais
no Trabalho; Violência nos Ambientes Escolares e do Trabalho.

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