
Em dezembro muita gente casa, novembro também, aliás, acho que muita
gente casa e descasa toda hora. Geralmente temos amigos de idades
próximas a nossa e consequentemente passam por determinadas fases
ao mesmo tempo. Minha sobrinha casou e algumas amigas dela que conheço
também estão casando. Fiquei sabendo que a mãe de uma das noivas alugou
um lindo vestido que ficou na loja para pequenos ajustes. No dia da entrega
do vestido arrumado, ela experimentou e não gostou. Foi impossível
não perceber o seu descontentamento. Prontamente a dona da loja disse
que ela deveria escolher outro, pois a mãe da noiva é uma pessoa especial
e deve estar linda e feliz na cerimônia. Ela escolheu outro vestido e deu tudo certo.
Para o casamento da minha sobrinha a vovó e também minha sogra muito
indecisa, experimentou muitos vestidos e decidiu mandar fazer
um especialmente para a ocasião. Mas não gostou na primeira prova
e não gostou na segunda. Quando me contou, disse a ela que deveria comprar
outro, pois a avó da noiva era também uma pessoa especial e deveria
estar linda e feliz na cerimônia. Ela seguiu meu conselho e ficou bem contente.
Comprei meu vestido rapidamente em uma tarde que reservei para isso
e achei lindo e apropriado, mas como os dias estão terminando com tarde
frias resolvi comprar um acessório para cobrir os ombros, no caso de esfriar.
Na loja vi um vestido vermelho lindo e resolvi experimentar,
achei que não serviria, mas ficou muito melhor do que o aquele que eu
já havia comprado. Não resisti, comprei. Falei para meu marido não se zangar
com tamanho desperdício, é apenas a síndrome do segundo vestido.
Aproveitei a festa bem feliz, me sentindo maravilhosa.
Síndrome é uma palavra muito forte para essa bobagem e desculpa para comprar
mais vestidos, é só uma brincadeira. Sei que a gente brinca com certas coisas
porque na verdade elas não acontecem de verdade conosco. Uma amiga me disse
que foi abordada na rua por uma moça com olhar apavorado que solicitou ajuda
a ela para que pudesse seguir para casa. Contou que estava sofrendo de síndrome
de pânico e seus músculos haviam paralisado e ela não conseguia andar.
Minha amiga disse que tudo bem, que ela respirasse fundo, relaxasse e que não
estava mais sozinha. Estavam a poucos metros da casa da moça e terminou
tudo bem. Fiquei surpresa com este fato, já ouvi falar muitas vezes em síndrome
de pânico, mas nunca imaginei que era assim tão forte e que podia abater
uma pessoa na rua. Acreditava antes que a pessoa simplesmente não saia de casa.
Sei que o pânico pode se manifestar de várias formas, como medo da claridade,
das doenças, de engordar e muitos outros mais. Porém é difícil visualizar isso
assim tão perto. Não deve ser nada fácil enfrentar uma situação dessas.














