Ana Mello *
Não é que eu sempre fui do contra, mas nunca gostei de fazer alguma coisa só porque
alguém disse que deveria ser feito. Gosto de saber os motivos e ainda que me convençam
se aquilo tem mesmo um objetivo. Claro que com o passar dos anos fiquei mais chata
e decidi que depois dos quarenta eu não faria mais nada contrariada. Não leio até o fim
livros que não gosto. Não vou a lugares em que não me sinto bem, não tento agradar
só por educação. Não sou mal educada, mas não fico dizendo coisas nas quais não acredito.
Se todo mundo elogia e eu não tenho motivo para comentários positivos, mantenho o silêncio.
Isso talvez seja mesmo coisa da maturidade, ou da velhice como diriam alguns,
depois de determinada idade não queremos mais incômodos, só felicidade.
Natural, a busca deve ser sempre pelo bem estar e pela felicidade. Embora algumas pessoas
na ânsia por mudanças acabem fazendo opções que parecem bem piores
do que as que tinham antes. Falo isso para uma amiga que se separou há alguns anos.
O ex-marido era calmo, centrado, equilibrado. O novo é completamente pirado,
adora esportes radicais, está sempre inventando moda e acho que ele é realmente
desequilibrado. Entendo que ela buscava uma vida mais motivadora, com desafios e atividade
só que agora ela não tem é sossego mesmo. Não tem um minuto de paz. São os riscos,
não dá para mudar sem correr alguns riscos, com a possibilidadede mudar tudo de novo,
nunca para o mesmo ponto de onde partimos.

Mas falando sobre livro, ganhei de Natal A Mulher quenão queria acreditar – Fernanda Takai.
É o segundo livro dela que é graduada em relações públicas, integra a banda Pato Fu,
cantando, compondo etocando. Colunistas de jornais como O Estado de Minas
e o Correio Brasiliense, ela escreve contos e crônicas. Os contos e crônicas deste livro
são ótimos e me agradaram muito pela criatividade e pela síntese. Gosto de textos mais curtos
que vão direto ao ponto sem enrolação. Adorei O caso da capivara porque achei inusitado,
divertido e bem estruturado e da Mulher que não queria acreditar, ofinal é ótimo,
mas não posso contar, só lendo para saber. Na orelha da capa tem uns quadrinhos do Laerte
com o título: Como ler Fernanda Takai – uma proposta de ritual. Muito bacana,
uma proposta de leitura bem louca para qualquer leitor, adorei e um dia quando publicar
meu livro de crônicas vou imitar, ainda mais porque adoro quadrinhos.
E tem um concurso bem legal com inscrições até 20 de janeiro. Pode inscrever poesia,
minicontos, é só ler o regulamento no site da Carris, o nome é Fragmentos Urbanos.
Tem como objetivo fomentar a produção literária e destacar a relação do transporte
com a comunidade, divulgando e enaltecendo pontos descentralizados da Capital (Porto Alegre)
que não estão, necessariamente, no roteiro turístico cultural. Dessa forma,
destacar elementos de identificaçãodas pessoas com Porto Alegre.
Leia mais aqui: http://www.carris.com.br/














