
Por Ana Mello
Algumas mensagens chamaram minha atenção no Natal, pessoas reclamando
que no fim do ano, especialmente nas festas, todo mundo finge que está feliz
e que no próximo ano tudo será diferente. Acho que não é bem isso,
nas festas as pessoas abaixam a guarda e se permitem acreditar que realmente
as coisas vão mudar. Seria muito bom se todos pudessem usar este espírito,
este mesmo olhar em outras ocasiões durante o ano. Dar uma chance a si
mesmo e aos outros também, para recomeçar, voltar atrás e fazer de novo,
tentar o melhor.
Não é preciso iniciar outro ano para dar novos rumos na vida, mudar tudo,
trocar de emprego, fazer uma viagem, comprar uma coisa nova. Uso essa tática
já faz algum tempo, se não está bom, mudo tudo. A vida é agora e adiar
mudanças que nos farão mais felizes é tolice. Aquela história de guardar
roupas ou objetos para ocasiões especiais não é comigo. Meu dia especial é hoje.
Não é imediatismo e sempre deixo algumas reservas para o futuro,
mas viver em função do que talvez aconteça é muito perturbador.
Previna-se, mas não deixe de viver, é meu lema.
No fim do ano faço minha listinha na primeira página da agenda.
Ainda uso agenda de papel porque gosto de anotar umas coisinhas
no decorrer do ano, ali no dia que acontece, como um diário. Na minha lista
que não é nada secreta escrevi: Ser feliz, ter saúde, não comer nem beber
sem necessidade, publicar mais um livro infantil, ler muito, escrever melhor,
ministrar muitas oficinas literárias, fazer outra especialização (já me inscrevi),
escrever limeriques, caminhar pelo menos duas vezes por semana,
criar uma oficina nova de TICs (tecnologias de informação e comunicação)
para professores e mais uma meia dúzia de coisas que vou reservar
só para mim. Coisas básicas, possíveis. Mas alista não é fechada,
vou acrescentando coisas o tempo todo, sou cheia de planos. Férias também,
é bom acrescentar.
Quando eu era mais novinha fixava meu olhar no objetivo e só pensava nele.
Por exemplo, quando planeja as férias ficava só pensando no lugar
onde iria passar os meus dias de descanso, o que iria fazer lá e ansiava
pela chegada. Um dia lio Rubem Alves dizendo que o importante não
é só a chegada, mas toda a caminhada. O caminho de ida e de volta
faz parte de toda a viagem. Chegar é muito bom, com cautela,
aproveitando cada momento e voltando bem, sem atropelos.
Se os motoristas lessem o Rubem Alves, certamente fariam viagens
mais tranquilas e sem acidentes. Pense nisso. Leve vários,
se não conseguir ler alguns tudo bem, nada de obrigação, é por prazer.
Gosto de levar um romance, alguma história de mistério, uns continhos,
um de poesia e um coringa, no caso de indecisão.
Bom ano e boas leituras para todos nós!














