
Momentos de indecisão entre o anúncio e a suspensão do Decreto 7.567
fazem venda de importados genuínos despencar
Somente as marcas Changan e Aston Martin, das 27 associadas à Abeiva
– Associação Brasileira das Empresas importadoras de Veículos
Automotores obtiveram taxa de crescimento em seus dados
de emplacamentos no mês de outubro de 2011, ante o mês de setembro.
As importadoras filiadas à entidade encerraram outubro
com 13.264 unidades emplacadas, 41,2% menos em relação a setembro,
quando 22.569 veículos foram entregues aos consumidores finais.
Já no ano, as marcas Chrysler, Dodge e Lamborghini são aquelas
que tiveram queda nas vendas em relação ao mesmo período do ano
passsado.
“Obviamente o consumidor brasileiro se retraiu. No primeiro momento
após o anúncio do decreto houve uma corrida às concessionárias
de importadoras. Mas logo no início de outubro, o setor sentiu duro golpe.
Embora estejamos satisfeitos com o Supremo Tribunal Federal,
ao suspender a aplicabilidade imediata do Decreto 7.567,
depois de 45 dias, as nossas associadas não tiveram tempo
de se programar”, avalia José Luiz Gandini, presidente da Abeiva.
Na comparação com o mês de outubro de 2010, quando foram emplacados
10.562 veículos, o total de 13.264 unidades ainda significa superávit
de 25,6%. No acumulado de janeiro a outubro, as associadas à Abeiva
chegaram a 165.114 unidades emplacadas, 98,3% mais em relação
a igual período de 2010 [83.254 veículos]. Com os totais de emplacamentos
em outubro e no acumulado de janeiro a outubro, as associadas
da Abeiva passaram a representar 5,03% [contra 7,69% em setembro]
e 5,92%, respectivamente, do mercado interno brasileiro.
“O ciclo de importação – pedido, confirmação do pedido,
produção e período de transporte – é de no mínimo 90 dias.
Assim, mesmo com a suspensão do IPI no dia 20 de outubro,
o setor ficou impossibilitado de trazer mais unidades para o País,
já que os próximos pedidos passam a desembarcar somente na segunda
quinzena de janeiro de 2012. Ou seja, já estarão em vigor as novas
alíquotas do IPI”, explica Gandini.
Na avaliação de Gandini, a tendência das vendas em novembro
e dezembro é de retomar a média mensal de 2011.
“Devemos alcançar, nos últimos dois meses do ano, um total de 35 mil
unidades. Com isso, chegaremos a 200 mil unidades emplacadas no ano”,
esclarece. O presidente da Abeiva acredita que os próximos quatorze
meses serão difíceis para todas as associadas à entidade.
“Mas, cada qual à sua maneira, as filiadas vão permanecer ativas
no mercado brasileiro. Vamos tentar majorar nossos preços
com o menor porcentual possível, já pensando em 2013”,
enfatiza Gandini.
Segundo o presidente da entidade, a Abeiva passa a se preocupar
agora com os rumores do mercado automotivo brasileiro
de que o Decreto 7.567 pode se estender até 2016. “Espero que não
mudem as regras do jogo ao final de 2012, prazo de validade
do Decreto 7.567. Mas, as próprias manifestações do ministro
GuidoMantega, de ampliar ainda mais os índices de nacionalização
e de localizaçãoregional, superior a 65%, sinalizam endurecimento
ao setor de importação”, conclui Gandini.













