
Ana Mello
É inevitável observar as outras pessoas e de alguma forma fazer comparações. Faço isso também,
se passo anos sem ver alguém comparo o hoje com aquele tempo, se alguém está mais magro ou mais gordo,
percebo. Se alguém está triste, mais nervoso que o habitual ou mais feliz, reparo, mas tento não falar nada,
só se for algo positivo. Dizer que a pessoa está gorda, envelhecida, com aparência ruim é totalmente
inconveniente e não tem a menor graça. Tem um amigo de um amigo meu que é assim,
vive apontando defeitos nos outros. Dizem que agimos assim para desvalorizar o outro
e parecermos melhores, mesmo que isso seja sem perceber. Tem sentido, afinal qual seria o objetivo
de dizer para alguém que estamos vendo um problema nele, algo feio, ruim. Por amizade não é.
Isso acontece muito no trabalho ou em ambientes que convivemos com as pessoas por muito tempo,
em alguns momentos acreditamos que é possível falar qualquer coisa. Mas não é.
No trabalho encontramos pessoas legais e acontecem fatos que colaboram para nosso crescimento
e coisas engraçadas também. Uma reunião de trabalho fez um colega sair às pressas de Cachoeirinha
para Porto Alegre. No meio da manhã o trânsito está complicado na maioria das vezes e ele com pressa
fez umas ultrapassagens um tanto agressivas. De repente percebeu a Polícia Rodoviária Federal
vindo atrás dele com as luzes piscantes ligadas e prontamente deu passagem, mas eles não queriam
passar, queriam que ele parasse. Ele seguiu para o acostamento, parou o carro e logo foi descendo
para explicar e seguir viagem. Porém foi surpreendido com dois policiais de arma em punho vindo
na sua direção. Perguntaram se ele estava armado, mandaram levantar a camisa e virar de costas.
Foi revistado, teve o carro igualmente revistado e ainda deu explicações. Com educação
e com autoridade os policiais fizeram seu trabalho. Meu colega seguiu um tanto assustado
e envergonhado pelo mico de rodopiar com a camisa levantada em plena rodovia.
Agora vamos entrar em férias e tudo vai ficar mais leve.
Meu corpo está pedindo férias. Calor demais me incomoda, está tudo em baixa rotação,
estou levando muito mais tempo para fazer as tarefas mais bobas. Mas elas chegaram
e lá vou eu para a praia da Pinheira. Não vou parar de escrever porque isso não é trabalho,
vou mudar de ares, sair da rotina. O melhor das férias é a permissão para fazer o que quiser
e sem hora marcada. Já fui louca por sol, por ficar bronzeada, agora não posso mais e curto
outras coisas, mar, sombra, verde, vida. Fica aí um miniconto que diz bem sobre as férias,
quem tem filhos, pense nisso.
Menino nunca entende adulto. Às vezes nem quer entender mesmo. Gabriel sempre acreditou
ser assim, e pronto. Mas certamente tinha alguma magia, alguma coisa estranha que acontecia
com os seus pais nas férias. Pareciam outros. Nada de brigas ou exigências. Brincavam, corriam.
A mãe dava gargalhadas. Beijava toda hora.
Nossa! Como era bom – pais em férias.














